A ARVORE E o Brasil
A árvore
Do
meu corpo que chamam madeira foram construídas as caravelas que fizeram a rota
dos descobrimentos, alteraram a verdade sobre este planeta, e nelas aqui chegaram os do velho continente.
Da Carta de
Pero Vaz de Caminha.
Eles não lavram nem criam. Nem há aqui boi ou vaca,
cabra, ovelha ou galinha, ou qualquer outro animal que esteja acostumado ao
viver do homem. E não comem senão deste inhame, de
que aqui há muito, e
dessas sementes e frutos que a terra e as árvores de si deitam. E com isto
andam tais e tão rijos e tão nédios que o não somos nós tanto, com quanto trigo
e legumes comemos.
Traz ao longo do mar em algumas partes grandes
barreiras, umas vermelhas, e outras brancas; e a terra de cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos.
De ponta a ponta é toda praia... muito chã e muito
formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande; porque a estender
olhos, não
podíamos ver senão terra e arvoredos ....
Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa
que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!
A árvore
Como
somos solidárias e dadivosas, protegemos o solo que nos sustenta e alimentamos os
animais e homens que vivem sob nós.
A árvore
Do
meu corpo que chamam madeira os habitantes desta Terra faziam suas moradias e
os objetos que utilizavam no dia a dia.
A árvore
Como
esta Terra é abençoada pelo sol, crescemos rápido e em grandes extensões, no
início ocupávamos praticamente tudo, aqueles que aqui estavam e os outros que
vieram depois, precisavam do solo para se manter e construir um País, foram nos
cortando e cortando.
Cortaram para abrir estradas, cortaram para implantar
cidades, cortaram para plantar lavouras e pastos. Entendemos e fomos ao
sacrifício.
A árvore
Do
meu corpo que chamam madeira, foi construído o 1º objeto feito aqui por outra
cultura, a cruz de cristo.
Uma
de nós foi considerada a primeira riqueza aqui encontrada e que justificou a
posse desta terra e do seu nome foi batizada: Brasil.
Do
meu corpo que chamam madeira foram construídas as igrejas, santos e altares,
compondo um dos maiores tesouros brasileiros, achando que me embelezavam me
esconderam com tinta e ouro.
Do
meu corpo que chamam madeira, alguns artistas brasileiros me mostraram
orgulhosamente nua e com esta beleza criaram o Design Brasileiro.
Do
meu corpo foram construídas coisas belas, muito belas.
Daquela
grande família chamada Mata Atlântica, os nossos primos Jacarandás, Cerejeiras,
Canelas, Gonçalo Alves, Aroeiras, Imbuias, Perobas, Vinháticos, Aracaúrias e
Pinhos, agora existem muito poucos.
A árvore
Mas
de repente cismaram de ocupar este solo, “a Hiléia Amazônica”, e instituíram
uma lei que dizia:
Terás
a posse destas terras, porém, só te dou se a tua terra de florestas e florestas
for ocupada em 50%.
Com
isso todos que aqui chegaram foram nos cortando e cortando para garantir a posse
da Terra e não pararam mais de cortar.
Como
tinham se passado muitos anos desde aquele início, as ferramentas de
destruição avançaram muito, não somos
mais cortadas a machado e serrotão, somos derrubadas a trator, cortadas a
motoserra, vocês não acreditam da competência dessa tecnologia.
Mas
o pior ainda estava por vir, como têm pressa, muita pressa, nos derrubam em
massa, umas depois das outras e sabem o que acontece com aquelas que ficam de
pé? não sabem????
Acreditem.
SOMOS QUEIMADAS, e depois, olhem só_ que maldade, somos fatiadas e vamos para
os FORNOS, _os Fornos!!!!! e viramos CARVÃO.
Depois
de tantas dádivas que vos tenho dado!
De
vos ter permitido construir tão grandioso País!
De
proteger tantas infinitas águas! A riqueza do futuro!
Eu
vos Pergunto?
Porque
vocês me Queimam!!!!!!!
Virgílio
Moura
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